Eu não quero mais escrever sobre o câncer. Quero virar a página apenas. Já escrevi mais sobre a experiência no Titita Ina . Terminei o tratamento em 2020 e continuo indo à oncologista uma ou duas vezes ao ano, para fazer alguns exames, como mamografia e ressonância... Realmente, passaram 8 anos e ainda não mudei os hábitos que queria. Não sei se aprendi algo com o câncer, como se ele fosse um professor. Devo ter aprendido algumas coisas boas e outras ruins ao longo da experiência como um todo. Talvez um dia consiga escrever algumas linhas mais otimistas e bonitas sobre isso, mas, por agora, não tenho muito a acrescentar. O câncer não foi uma opção e foi um limão azedo que a vida me enfiou goela abaixo. Sou agradecida por continuar por aqui, porque gosto de viver e de viver com os meus amores, e tenho medo de ter que lidar com outra experiência do tipo. Ficar doente não é bom, ter medo de morrer não é bom. Não quero passar novamente por isso, mas, não tenho controle sobre isso. A vida é imprevisível. Não posso ser perfeita, não consigo ter uma vida próxima da perfeição. Essa pressão me estressa. Não quero pra mim. Essa pressão para viver uma vida saudável me estressa, me irrita. Acho que tenho que buscar uma vida boa a partir do que eu acredito ser uma vida boa. Se ao menos houvesse consenso sobre o que é uma vida saudável, seria bem mais fácil. Mais essa enxurrada de informação e de disputa sobre o que se pode ou não fazer, do que faz mal ou não, etc., me cansa e já falei sobre isso.
Agora estou com 40 anos e ainda tenho esperança de conseguir criar o hábito do exercício físico, pelo menos, e continuo querendo, de vez em quando, tentar ser uma pessoa melhor e tentar não desperdiçar a oportunidade que é estar viva. Seria muito bom chegar perto da vontade de viver que tive quando estava mais perto do câncer, mas, desta vez, longe da doença.
Assim, embora não tenha a mesma cabeça de quando fiz esse blog, o título ainda faz sentido. Continuo querendo mudar. Ainda não sei qual rumo tomar, tenho que recomeçar um sem número de vezes, mas sigo tentando. Não sei se farei algo com esse blog. Talvez este seja um texto de encerramento.